sábado, novembro 25, 2006


Todo vício sempre começa com prazer. É aquela velha história: às vezes pra experimentar, por falta de companhia, de opção, por estar com certas companhias. E a primeira sensação é sempre boa. Claro. E você volta. Uma, duas, zilhões de vezes – ou menos, dependendo de quão mortífero for o seu vício e quanto tempo você agüentar vivo.


De repente aquilo começa a te fazer mal. Você começa a ser algo que não estava no script. Mas ao mesmo tempo já é um velho conhecido seu. Você nem sabe como era antes. E vai ficando.


Às vezes – somente às vezes - você consegue puxar o freio de mão. Mas, como acontece com toda freada em alta velocidade, o carro roda, derrapa e pode bater. (Em outras vezes você nem quer puxar o freio de mão. Pra quê? É isso. É isso que você queria, que você buscava. Sorte sua ter achado. Tanta gente passa a vida a procurar sem encontrar). E nessas idas e vindas, freadas e arrancadas, tem dias em que você se pergunta: pra quê?


Porque a cada derrapada a arrancada fica mais difícil. O gosto é mais amargo. E você simplesmente se olha no espelho e pensa – só com você, sem mais ninguém por perto, naquelas horas em que é só você e o espelho, no meio da madrugada: a quem eu tô querendo enganar?


E aí parece que a única alternativa que sobra é entrar novamente no círculo vicioso e começar tudo eternamente na roda vida entre o punir-culpar, punir-culpar...Porque por mais que as pessoas - médicos, especialistas, etc, etc – saibam que todo vício é difícil demais de ser vencido, chega uma hora em que a própria pessoa começa a ter vergonha dela mesma. E dos outros. E o poço parece não ter fim.

5 comentários:

Celso disse...

A despeito da minha decisão de não mais fumar ter sido tomada de súbito, no consultório do médico que me mostrou a radiografia do meu pulmão, eu sofri por quatro dias com a crise de abstinência. Hoje, sinto raiva de mim mesmo por ter sido fumante por doze anos, e aquela foi a maior prova de que nenhum vício me supera, nem mulher. :)
Eu sou mais forte do que tudo.
Bjs.

Celso disse...

Só completando apesar da profundidade do seu texto, acho que ele se adequa a qualquer tipo de vício, e por isso eu falei do cigarro. :)

VanOr disse...

Deep purple, minduim. Algum vício te incomoda assim? (você já reparou que o vício incomoda mais aos outros que ao viciado? e que essa percepção do outro pode ser uma paranóia pura e simples, e que no mundo ideal os vícios seriam todos chamados de virtudes? que a coceira é uma espécie de dor, e que algumas dores são tão boas de sentir que viciam?)

Anônimo disse...

por que as letras tão grandes?

Linda Blair, possessa disse...

Celso,

Q bom. Q bom.

Vanessa, minha linda,

O poeta - aquele - é um fingidor...

Anônimo,

É pra te enxergar melhor!!!