sábado, julho 01, 2006

Mau humor no último grau

Odeio futebol. Odeio. Acho chato. Sem graça. Bobo. Não vejo a hora dessa Copa acabar. Que que eu tenho a ver com isso? Ronaldinho? Kaká? Quadrado mágico? Galvão Buelho? Maior equipe de comentaristas já mandada pra uma Copa? Me poooupem. Me chamem de ranzinza, mal humorada, anti-patriota, "do contra"... Mas eu odeio futebol cada vez mais. O que me faz ter cada vez mais certeza de que eu nasci no país errado, já que: 1) Odeio futebol; 2) Odeio samba e carnaval; 3) Odeio calor; 4) Gosto de praia no final da tarde; 5) Me estressei profundamente em Salvador, com aquele monte de baiano lento; aquela praia de Itapoã que é só um pedacinho de terra sem nada demais; aquele Pelourinho "pra inglês ver", parecendo o Projac; garotas se oferencendo como prostitutas em todo e qualquer lugar; os "locais" avançando nos turistas e querendo explorar o máximo possível; um calor úmido e pegajoso; uma água do mar quente; uma areia escura (Búzios e Cabo Frio dão de deeez a zero); fora o fato de não existirem frutas e nem legumes decentes, exceto alface e tomate e uma ou outra fruta repleta de vogais, de pronúncia quase impossível.
Bom, quem sabe eu precise morar fora um tempo pra descobrir o que é ser brasileiro. Como o Sérgio Buarque de Hollanda - ou foi o Gilberto Freyre? Não sei, um desses "brasilianistas" - que disse que precisou morar fora pra descobrir e dar valor ao Brasil. Pode ser o meu caso. Ou pode ser que eu nunca mais volte. Ou pode ser que o meu Brasil não seja Rio nem Bahia, mas Minas e Porto Alegre, quem sabe? Afinal, são muitos os "Brasis". Mas hoje estou falando de estereótipos. E o Sul e Minas não são estereótipos de Brasil. Estou falando do Brasil "samba-mulata-caipirinha-futebol". Esse Brasil que, definitivamente, não é o meu.
E essas porras dessas cornetas? Comemora, mas sem corneta, gente. Corneta, não. E um infeliz de um vizinho do andar superior que já começou cedo, ouvindo o hino de Portugal no último volume? Fala sério. Isso tudo é respeito ao Felipão? Ou gratidão aos nossos colonizadores - que aliás, podiam ter feito um serviço melhor ao invés de pilhar nossas terras (sim, tô chata "por demais" hoje). Histeria coletiva.
Vou pra casa de Formiga Senior e Único Cunhado. Mamy e Formiga Sister Master também vem pra cá. Terá uma nini-festa na casa de Formiga Senior. Tenho duas opções: me embriagar completamente ou levar um livrinho e ficar lendo. Ou quem sabe estudar meu guia da Europa. Ou ler meu manual de italiano pra brasileiros. Porca miseria! Maledicione! Advinhem qual opção vou escolher?
Definitivamente eu sou uma pessoa estranha. Tão estranha que às vezes até eu mesma me assusto. Nem eu me aguento, na maioria das vezes. Mas pelo menos descarreguei meu mal humor. Agora posso continuar com a minha cota de hipocrisia cotidiana, fingindo que eu me importo se o Brasil vai ser hexa ou não. U-hu, gente! Que máximo! Que remédio...

4 comentários:

Leonardo disse...

Acho que seu problema não é ter nascido no país errado, e sim falta de outra coisa que te deixe feliz.

O foda do Brasil ter perdido é que quem trabalha nao vai poder mais sair mais cedo. Muito triste :~

Carrie, a Estranha disse...

Mas eu não tenho esse problema. Eu faço o meu horário. E tenho O MELHOR EMPREGO DO MUNDO!!! Como vc pode ver, sou REALMENTE uma pessoa muito diferente.

Daniele disse...

Ah, eu sou brasileira mesmo! Amo quase tudo que você citou como não gostar. Acho que desse jeito vc não volta da Europa!

VanOr disse...

Carrie, descobri seu blog graças ao Celso! Adorei sua manifestação de mau humor. E não se engane: você é tão brasileira quanto eu e a Nação Rubro Negra, só que um pouco mais invocada.