sexta-feira, dezembro 30, 2011

Ainda sobre namoros...


Vocês me desculpem o monotema, mas eu vou ter que continuar falando sobre isso. 

Tinha bastante tempo que eu não apresentava ninguém oficialmente como namorado para as pessoas e eu fiquei realmente surpresa com as mais diversas - e estapafúrdias - reações. Desde gente dizendo: "nossa, que sorte" (Oi? Sem nem conhecer o moço! quem disse que é sorte? E se ele for um psicopata?) até amigas que disseram: "ahhhh, agora a gente pode marcar de sair". Do tipo: agora você parou de pertencer ao grupo dos párias leprosos que não namoram e eu posso ser vista na sua presença. E nem tô falando das minhas tias de Andrelândia. Delas era mais do que esperado as reações de "mas que ótimo, vamos ver se dessa vez engrena! Tamos rezando aqui" e etc. Tô falando de gente da minha geração, gente supostamente muderna e independente.

Gente. Eu só tenho um namorado. Eu não fiz transplante de cérebro. Continuo a mesma pessoa insuportável, anti-social e intragável de sempre. Não confundam. Não vou sair por aí dando bom dia a abelhinhas. Também não ganhei na mega sena, nem fui selecionada para o primeiro voo intergalático e nem descobri a cura da AIDS. Será que o fato de eu ter ficado tanto tempo sem um namorado fixo me tornou uma pessoa tão estranha assim? Jura? Aí agora, é como se as pessoas tivessem pensado: ah, ufa! 

Esses dias tava lendo o blog da Menina de Óculos e vi ela falando que desde que anunciou o casamento - que nem festa vai ter - geral fala com ela, desde vizinhos que nunca a cumprimentavam até parentes. Notem bem: não é nem pelo interesse de ser convidado para festa, porque não vai ter festa. É apenas a satisfação em perceber que alguém vai se casar.

Daí é fácil entender porque tanta gente se casa e tem filho. É uma inserção social. Você adquire um senso de pertencimento. É o caminho mais fácil, socialmente falando - na prática a gente sabe que é difícil. (Quer dizer, gente quem, cára pálida? Sei lá. Dizem. Os exemplos de casamento que eu tenho ao meu redor são todos felizes). É você chegar lá. Dizer realmente a que veio. Como diz uma camiseta que eu vi esses dias: game over - imagem de uma noiva do altar. Ou do slogan de uma feira de noivas e debutantes que eu vi aqui em Gotham: o mais difícil você já conseguiu: o noivo.

Ter alguém pra ficar, pra amar, principalmente uma pessoa legal, bacana, que realmente você quer estar ao lado, é muito legal e pode te fazer muito feliz. Mas não é nem deve ser nunca o único ou mais eficaz caminho pra felicidade. É só um dos caminhos. Essa obsessão das pessoas em depositar 90% das expectativas de felicidade em cima de um relacionamento é muito pesado. Mesmo porque 90% das pessoas não vão achar esse relacionamento - meu amigo Luís Miscow que não me ouça se não vai dizer que eu sou muito pessimista e que há muito amor por aí. 

Que caralhos. Muito bizarro.


8 comentários:

Marcelo Carahyba disse...

kkkkkkkkkkkkkkk, gostei da sua análise sociológica. :P

ila fox disse...

Hmmm eu não percebi esta diferença de tratamento não... mas o que vejo acontecer com as pessoas é justamente o contrário. Começou a namorar ou vai casar? os amigos somem! como se tivessem medo de segurar vela, de criar vínculo de amizade e a pessoa terminar, de atrapalhar, sei lá! :-/

Eu só não digo que continuou a mesma coisa comigo em relação aos amigos pq me mudei de cidade, daí naturalmente dá uma afastada, mas a internet está aí! então toda vez que faço uma visita eu me reencontro com os amigos, e é sempre legal! ;-)

Izabela F. disse...

E eu, Carrie? A única coisa bacana que restou do meu primeiro e ÚNICO namoro nessa vida foi um filhinho lindo. Terminei o namoro antes mesmo do meu filho nascer porque né? Não sou obrigada a me casar para me "encaixar" no modelo social de "sucesso" (hahahaha...).

Enfim, tudo isso é só pra te dizer que seu post me lembrou que achei muito divertido e curioso quando, em outubro, uma tia veio me cumprimentar pelo meu aniversário e soltou essa: "... aí, depois que vc terminar a faculdade, QUEM SABE vc não encontra uma pessoa bacana pra se casar, ter mais filhos...". Daí, só me restou responder em tom lastimoso: "é, tia, quem sabe eu ainda tenho jeito, né?". rsrsrs

Eu acompanho seu blog a muito tempo (anos!) e até cheguei a comentar algumas vezes. Fazia tempo que não passava por aqui, mas vejo que a minha identificação com as coisas que vc escreve só aumentou!

Beijos!

Carrie, a Estranha disse...

Marcelo Carahyba,

Mas não é verdade?

Ila,

Deve ser porque seus amigos todos estavam solteiros, não?

Oi Izabela F. (a piadinha de "drogada e prostituída ainda faz sucesso? Não? Então deixa pra lá),

Pois é, menina. As pessoas são estranhas.

Bjs a todos

Menina de óculos disse...

Num tô mais só...vc tá vivendo as mesmas coisas que eu. rsrsrs

Feliz ano novo ao lado de quem vc gosta!!!!

:)

Alessandra disse...

Tava meio afastada do blog e demorei a ler sobre a novidade. As postagens estão muito fofas! Fiquei feliz pelo seu momento. Vou aparecer mais pra ficar feliz mais vezes. Bjo! Feliz 2012!

ila fox disse...

Carrie,
Faz sentido. Quando o povo está casado só se encontra com outros casais casados. Daí tem a próxima etapa: todo mundo começa a ter filho adoidado. E acabam excluindo os casais sem filhos. :-P

AnaCláudia disse...

Ah Aline, sweetie estranha...
Que bom entrar aqui e ver que vc começou o ano tão sweeeeeeeetie!
Que boas novas! Adorei! Bjs