domingo, fevereiro 20, 2011


A despeito do que pode parecer, sou uma pessoa muito simples. Meus gostos são muito simples. Eu me satisfaço com muito pouco. É um pouco bastante específico e peculiar, é verdade, mas é pouco. É pouco se comparado ao resto com que as pessoas costumam se satisfazer. Eu não preciso de muito dinheiro, de carro, de roupas e coisas caras, de ter X relacionamentos, de ter metas, de atingir tais propósitos, de sair, de que algo-de-muito-emocionante (na concepção alheia padrão) aconteça na minha vida. Eu tenho até vergonha quando eu encontro um(a) amigo(a) que eu não vejo há um tempão e ele(a) me pergunta: e aí, e as novidades? De uns tempos pra cá eu não tenho novidades. E tudo bem. Novidades nem sempre são sinônimo de felicidade. Falta de novidades nem sempre é sinônimo de infelicidade. Tenho uma certa agonia (uma gastura, como se diz em Minas) de gente que fica: mas, e aí? Quais as novidades? Tá namorando? Tá ficando com alguém? E o trabalho? Tá gostando? E o que você tem feito de bom? Tem saído? Ninguém pergunta se eu tenho feito algum trabalho voluntário. Se eu tenho tido tempo para pensar. Sei lá. Perguntas diferentes.

(Detalhe: quase sempre esse tipo de gente, que faz o mesmo tipo de pergunta sempre, quase nunca te escuta).

Eu tenho muito apreço pelo cotidiano. Atualmente eu gosto muito dos fins de semana, porque eu ando trabalhando demais, mas eu não espero loucamente pelos feriados, fins de semana e férias. Não sou felicidade de atacado. Prefiro minha cota no varejo do dia a dia. Talvez por ter passado um período grande demais tentando simplesmente manter a cabeça pra fora da água, ou tocar o fundo com a ponta dos pés, hoje em dia eu me satisfaço boiando. O que não quer dizer que eu não enfrente uma boa onda e vá pra arrebentação se preciso for.

(Ok, a metáfora marinha pode não ter sido uma boa ideia).

Mas o interessante é que, aos olhos dos outros, a coisa não é assim. E - que diabos - nossa identidade é forjada, também, a partir do que os outros pensam de nós. Admiro muito [sendo irônica] essas pessoas que dizem que não-estão-nem-aí-pro-que-os-outros-pensam. Assim como aquelas outras que dizem que só-se-arrependem-do-que-não-fizeram. Claro que não é possível nortearmos nossas vidas e nossas escolhas pelo outro. Mas também é difícil não nos deixarmos influenciar em alguma medida.

Nesse sentido, é também fácil encontrarmos modos-de-vida-alternativos-padrão. Se a felicidade padrão é uma, a felicidade alternativa também tem um padrão.

Às vezes é difícil ser eu. Ou então eu me esqueço de que é pra todo mundo. E acabo acreditando muito no que os outros dizem sobre eles mesmos.

5 comentários:

Yêda Alencar disse...

Carrie,
Adorei esse texto. Me identifiquei muito. Ontem msm, eu tava pensando sobre essa mania q as pessoas tem de achar de q se a pessoa tem mais de 18 e não sabe dirigir, é quase um insulto, como assim não sabe,não quer?!? Tem q saber! Se uma pessoa tem 23 e não namora, não sai, ela é anti-social, é besta, é infeliz, é coitadinha! Nesses 2 casos, eu sou a "protagonista", tenho 24, não dirijo, não gosto de sair (não aqui na minha "amada" cidade), não tenho namorado, e mt vez vejo a cara de pena de algumas pessoas pra mim! E isso me irrita! E muito! Pq elas pensam q sou infeliz, q não aproveito minha vida! Como elas podem pensar isso?! Eu sou feliz do meu jeito! E essa de "e aí as novidades?" tb me irrita muito! haha. E essa frase "Não sou felicidade de atacado. Prefiro minha cota no varejo do dia a dia." vai ser minha frase pra vida agora! Adorei e vou copiar! Bjos!

fmaatz disse...

É isso. Tirando o alguém que pergunta sobre trabalho voluntário. Não consigo imaginar ninguém bacana perguntando isso.
Veja o post do dia 6/02 desse blogue: http://www.arenascariocas.blogspot.com/
Acho que é da mesma ossada.
bjs.
f.

ila fox disse...

Estes dias o Ricardo disse:

"Eu não fumo, não bebo, não danço, não dirijo e não gosto de futebol, 99% das pessoas devem me achar um tédio"

Eu dei risada e concordei, mas tédio é o que não sinto ao lado dele. :-P

*

Eu não casei na igreja e não quero ter filhos. Muitas mulheres (e homens) acham isso um absurdo. Devem pensar que sou uma criatura do mal que devora criancinhas no café da manhã, hehe.

Engraçado como a maioria das pessoas esperam que você tenha uma combinação de atitudes e gostos para ser feliz né? tem quem pense que só pq eu não quero ter filhos, que sou uma pessoa amarga e infeliz. Pfff

*

Talvez eu seja do time "não-estão-nem-aí-pro-que-os-outros-pensam" sabe? só me importo com q meu marido pensa de mim, e dependendo do assunto não me importo nem com que a familia pensa. Aprendi a ligar o foda-se BONITO.

Milema disse...

OI.
Tenho andado meio sumida nos comentários, mas leio diariamente.
adorei seu txt.
Tb nao tenho paciencia p esse tipo de pessoas, pq a vida nao é cheia de novidades, principalmente qdo atingimos certa faixa etária em q mais trabalhamos do q nos divertimos. Tb nao acho q ter novidades sempre significa felicidade, pq nem sempre as novidades são boas.
Ás vezes temos q colocar a vida no piloto automático e seguir em frente.
Bjinhos

Cinthya Rachel disse...

belo texto. detesto q me perguntem as novidades, pq o q será q a pessoa quer ouvir? acho q elas esperam algo muito incrível, só pode. eu sempre respondo q está tudo bem e que não tenho novidade nenhuma, rsrs