domingo, junho 20, 2010

Meio Alípio


Como vocês sabem, eu tenho uma sobrinha de 4 anos chamada Paulinha. Ela mora em Patrocínio de Minhas, perto de Uberlândia, mas ela nasceu aqui em casa - quer dizer, no hospital - e sempre passa alguns dias de férias aqui. Quando ela vem pra cá, desde, sei lá...uns 6 meses, ela adora assistir ao Cocoricó, programa da TV Cultura (eu achava que era um programa novo, mas me disseram que já é bem antiguinho. Bom, mas do meu tempo de criança não é, então é novo). O programa se passa em uma fazenda. Há animais que convivem pacificamente com humanos. Todos são bonecos de pano, tipo maionetes grandes, que nem o Vila Sésamo. Tem as crianças, a avó, os bichos. Tem músicas e histórias. Mas o que ela mais assistia aqui em casa era o DVD de clipes do Cocoricó.

Ela já passou por várias fases. Tinha épocas em que ela amava a música do cocô - um clipe meio rap onde o cocô fala sobre suas propriedades benéficas, apesar de todos falarem que ele é nojento e tal - e em outras ela tinha medo do cocô. Formiga Senior passa mal de ver. Eu e Formiga Irmã adoramos, e logo o bordão "inútil, não!" se tornou um must aqui em casa. Teve a fase do Monstro da Palha - tanto a fase do medo quanto da atração. Podem me chamar de sentimental, mas eu acho muito triste a música do Monstro da Palha. Mas eu gosto da mensagem do final: "a gente ainda é porquinho, mas já sabe se virar". Meu irmão diz que ele e minha cunhada falavam isso pra ela ao ir pra colinha (escola). Também adotamos como mantra aqui em casa. Em qualquer dificuldade eu me lembro que eu ainda sou porquinha, mas já sei me virar. Tudo bem que rola uma vibe meio paranóica no porquinho, né? Sim, porque ele começa a conjecturar (não é à toa que a música se chama "E se...") e se o meu brinquedo caísse e eu me levantasse pra pegar e o monstro da palha viesse atrás de mim e me obrigasse a cantar sem parar, daí minha mãe ia ouvir e ia pensar "ah, o porquinho tá cantando então tá tudo bem". E aí sabem qual a solução ele dá? Ele diz que ia cantar forte, muito forte até ficar rouuuuco, muito roouuuco (esse mote também teve sua época aqui em casa) e aí a mãe ia estranhar e ia ver o que estava acontecendo e ele ia ser salvo. Quase um porquinho Woody Allen.

Bom, o fato é que, pelo que vocês puderam notar a gente incorpora várias frases do Cocoricó no nosso dia a dia. Não só frase, mas brincadeiras relativas a minha sobrinha. Por exemplo, quando minha sobrinha estava nervosa/chorava minha irmã sempre dançava uma valsa com ela. A valsa consiste em pegá-la no colo e dançar, cantando o Tema de Lara do Dr Jivago (Lá, lá, lalaaa...lá, lá, lá, lá, laláaaa). Agora a Paulinha já sabe cantar e às vezes ela mesmo pede: Bibi [Formiga Irmã], vamo dançar uma valsa? Às vezes ela ainda complementa com rápido, muito rápido - quando ela quer que a gente rode muito com ela; Formiga Senior tentou dançar e passou mal. Formiga Senior é um pouco frágil, pelo que vocês podem notar.

Eis que, volta e meia, quando eu estou nervosa/chateada ou às vezes do nada, Formiga Irmã vira pra mim e diz: vamos dançar uma valsa? Às vezes a gente dança. (Esses dias o Jô contou que quando ele trabalhava com o falecido dono da Manchete, o Adolfo Bloch, ele o tirava pra dançar um tango toda vez que chegava na redação. E eles dançavam de rostinho colado. Os jornalistas novatos ficavam apavorados e não entendiam nada). Ou então quando estou falando alguma coisa e no meio do assunto surge a palavra "rápido" imediatamente eu completo com "rápido, muito rápido. Que nem a valsa da Paulinha". Esses dias eu estava na fila da cantina de um dos lugares onde eu trabalho com Formiga Irmã e tinha um aviso dizendo: "rápido, tem gente atrás de você". E eu tive vontade de colocar embaixo: "muito rápido, que nem a valsa da Paulinha". Daí fico pensando que se eu estivesse dentro de um filme do Monthy Phyton imediatamente apareceriam pessoas com um cartaz escrito isso e colariam na frente. É muito divertido dentro do meu cérebro. 

Enfim. Vocês podem não achar graça, mas eu morro de rir. Aí, pessoa que perguntou no Formspring quais são as coisas do cotidiano que eu acho graça!

Mas eu estou escrevendo tudo isso pra dizer que tem um cavalo no Cocoricó chamado Alípio. E no DVD das historinhas tem uma em que o Alípio chega e diz: "oooi". Minha sobrinha, desde a mais tenra idade, toda vez que vê o Alípio nesta cena diz: "Alípio. Engaçado". O mais engraçado é que ela não ri. Apenas diz: "Alípio. Engaçado".

Logo, Alípio se tornou um código aqui em casa pra quando a gente acha alguma coisa engraçada, mas não a ponto de rir. Ou engraçada e estranha. "E aí, o que você achou dele?". "Ah, meio Alípio, né?". "Esse pão tá bom?". "Tá Alípio".

Isso me faz lembrar uma amiga de Formiga Mãe que fez plástica no rosto, lá pelos idos de 1970, quando plástica era aquela coisa heavy metal de pega-estica-e-puxa. O médico a proibiu de rir. Daí ela disse que quando achasse alguma coisa engraçada ia apenas exclamar: "acho graça". É meio o mesmo sentido de "Alípio".

E por que eu estou contando tudo isso? Bom, fora o fato de que eu acho tudo isso realmente muito engraçado - engraçado-engraçado e não engraçado-Alípio - eu estou contando porque minha vida anda meio...Alípio. Sabe? Nem eu. Só sei que tá tudo meio...Alípio.

Acho que preciso de uma valsa. Rápida. Muito rápida.

7 comentários:

Borboletas nos Olhos disse...

Adoro isso..na minha família, incorporamos vários diálogos inusitados. O filme "A nova onda do imperador" é um dos vencedores, do "levante as mãos, Izma" até o pensando bem, nada a ver" com destaque para o "é o veneno? o veneno? o veneno pra matar o Cuzco?"...mas, enfim, só deve ter graça pra mim,rsrs

Lívia Novaes disse...

Cocoricó fazia um super sucesso lá em casa quando eu era pequena. ;) Cocoricó e Castelo Rá-tim-bum, claro!
Uma pena que minha sobrinha ainda esteja na fase de só amar os Backyardigans...

ps: acho tão divertido essas suas piadas íntimas.

Beijo.

trinity disse...

Cocoricó é fofo mesmo, eu adorava quando criança!
E também ra-tim-bum (que surgiu antes do castelo Ra-tim-bum).

Adorei todas as piadas internas da sua casa!

Carrie, a Estranha disse...

Borboleta,

Ih, na minha família têm vários, vááários. Desde causos de antepassados e suas tiradas, como dito infantis...quase ukm dialeto próprio.

É, eu acho muito engraçado, mas realmente só tem graça pra gente e por causa do contexto em q foram criadas.

Lívia e Trinity,

A Cinthya Raquel, que sempre comenta aqui, é a menininha do Castelo. Que tb é a menina do Tang e eu nem sabia. Eu acho q eu já era meio grandinha - ou devia achar q era - na época de Castelo. Da TV cultura me lembro do Bambalalão: "bambalalão, bambalalão, bambalalão...é o trenzinho que nos leva todo dia pro mundo da fantasia...". Saudade!

Mas, Lívia, minha sobrinha tb sempre amoooou o Backyardigans. Que eu acho meio surreal, mas tudo bem. Oniqua? Que porra de nome é esse? E acho q ela passou a gostar depois de mais grandinha (tipo 3 ou 4 anos). Bem bebê era só o Cocoricó. E o sítio ela tb gosta hj.

Lívia Novaes disse...

Carrie,

Já visitei o blog de Cinthya... ;) Quando vi a foto: "Meu deus, Biiiiba do casteeeeelo!".
Haha.
E, sim, ninguém merece o nome dos Backyardigans. Mas, olha, é a felicidade de minha sobrinha de 1 ano e meio.

;*

Miss Jones disse...

Aqui em casa temos várias, ultimamente ligadas ao filme "Up", como: "estou me sentindo tão ajudada!", quando alguém faz algo pra vc que seria absolutamente desnecessário ou mesmo que atrapalhe a vida; "O Kevin é menina??", quando nos surpreendemos com alguma coisa (QUALQUER coisa); "RASGUEI (com ênfase) do livro da biblioteca!", quando finalmente tomamos uma atitude diante de algum problema que vinha se arrastando; "Vá tomar banho, nojento!", quando temos raiva de alguém; "deixa eu ficar com ele, deixa, deixa, deeeeeeeeeeixa!", quando queremos convencer alguém a fazer alguma coisa; "meu joelho tá doendo, meu cotovelo tá doendo!", quando enrolamos pra não fazer alguma coisa, e por aí vai. Esse filme virou vício aqui em casa. Detalhe constrangedor: aqui nem tem criança... :)

Carrie, a Estranha disse...

Miss Jones,

Hahahahaha...muito bom. Adorei o final: "detalhe constrangedor: aqui nem tem criança". Rsrsrs

Bjs