sexta-feira, março 19, 2010

Tá comendo meeeesmo!

Fantásticas as matérias da Folha que a Karina me mandou (muito obrigada, querida). Descoberto o mistério sobre a saída dele da Cia das Letras - a editora se recusou a publicar o livro da pupila dele em questão (a mesma da performance). Além disso, ele teria ficado puto e tentado impedir a publicação do livro do Roberto Bolaños A literatura nazi na América, que teria um personagem inspirado no Rubem Fonseca. Sen-sa-cio-nal! Altas ideias para o pós-doutorado já brotando em minha conturbada cabecinha.
Tipo...Companhia das Letras, agora que vocês brigaram com o Rubem, bora publicar minha tese? Tamos aê. Já saí na Bravo! e na Veja, rapá. Contatos: carriewhiteaestranha@yahoo.com.br.
Publico aqui, todas as matérias, com os devidos créditos - será que a Folha vai se chatear?
Cara...não há limites para a canalhice humana. E eu ainda me choco. Tolinha.
Em SP, Rubem Fonseca vira menino para promover livro de escritora-pupila

FABIO VICTORDA - REPORTAGEM LOCAL
"Chora não, meu bem, chora não". Rubem Fonseca, o escritor recluso, o autor da violência urbana desmedida, faz biquinho e se contorce em frente ao vidro de um quadrado branco montado dentro da Livraria da Vila. Lá dentro, simulando choro, está a escritora performática Paula Parisot, que, para lançar seu romance "Gonzos e Parafusos" (ed. Leya), vive há seis dias no cubo, uma clínica de repouso descrita no livro. Fonseca é padrinho literário de Paula e foi ontem ao local alimentá-la -parte do roteiro da performance. Ao ver um fotógrafo, o escritor se irritou: "Porra! Puta Merda! Estragou o meu dia". Minutos depois, embevecido pela pupila, se acalmou."Tem que comer, entendeu", disse. Ela brinca com uma fatia de pão. "Tá bom?", ele pergunta. Ela não fala."Tá muito magrinha", balbucia Fonseca, 84 anos. Faz uma careta para Paula, simula lutar boxe com ela e depois diz. "Desculpa, vamos fazer as pazes." Apresenta-se como "José" a uma espectadora. Recusa gentilmente o pedido de entrevista. Só diz que acha Paula uma escritora com "um futuro brilhante".
Pupila tirou Fonseca de editora

Insistência de escritor para que Cia. das Letras publicasse romance de Paula Parisot causou saída. Após o episódio, escritor enviou originais da amiga para a Leya, que publicou o livro, e tomou parte em performance para lançá-lo.
FABIO VICTORDA - REPORTAGEM LOCAL
Um dos segredos mais bem guardados do mercado editorial brasileiro zanzou por uma semana num cubo branco de 3m x 4m dentro de uma livraria em Pinheiros, São Paulo. Ali morou até ontem a escritora Paula Parisot, numa performance para lançar seu romance "Gonzos e Parafusos".Foi ela o pivô da saída do escritor Rubem Fonseca da Companhia das Letras, em maio do ano passado, após 20 anos na editora. Um dos mais populares e prestigiados autores nacionais, o romancista e contista mudou-se para a Agir, do grupo Ediouro, por R$ 1 milhão. Movido pelo silêncio das partes, desde então o mundo livreiro especulava sobre os motivos do rompimento. Segundo a Folha apurou, foi a insistência de Fonseca para que a Companhia publicasse "Gonzos e Parafusos" a causa da saída. Paula é amiga e discípula literária do escritor. Anteontem, contrariando a famosa reclusão, ele viajou do Rio, onde vive, a São Paulo para participar da performance dela. Acompanhado da mãe de Paula, Ana Seabra, e do marido da escritora, Richard Haber, Fonseca, 84, passou quase três horas no local. Ajudou a servir café da manhã para a amiga, abaixou para beijar a mão dela por uma portinhola e, parecendo fascinado, sussurrou-lhe por trás do vidro palavras carinhosas: "Precisa comer, viu?"; "Tá tão magrinha"; "Chora não, meu bem".A jornalistas, avaliou o trabalho de Paula como "maravilhoso", previu para ela um "futuro brilhante" e disse sentir "grande admiração" pela pupila. Paula já emplacara na Companhia seu primeiro livro, de contos, em 2007. Dois anos depois ofereceu o romance, mas, segundo a editora, não houve acordo para a publicação. Fonseca, apurou a reportagem, intercedeu de uma forma que não agradou a Companhia.O escritor nega ter sido esse o motivo da saída. A editora se recusa a comentar. Questionado sobre o episódio, o editor e dono da Companhia, Luiz Schwarcz, afirmou: "Não estou dando declaração porque o que aconteceu foi uma decisão privada, de caráter profissional e pessoal. Houve uma questão pessoal que de alguma forma atrapalhou uma relação profissional de tanto tempo e uma relação pessoal tão íntima e tão carinhosa como a que a gente tinha. E aí a gente, de ambas as partes, decidiu romper". Para um importante editor brasileiro, que assistiu a tudo de camarote e pediu anonimato, "foi bom que isso tenha ocorrido", pois as editoras, diz, estão acostumadas a publicar sem critério, mesmo a contragosto, os apadrinhados dos seus grandes autores. Fonseca - que já avalizou iniciantes que depois vingaram, como Patrícia Melo -, não desistiu de ajudar Paula. Enviou os originais de "Gonzos e Parafusos" para a editora Leya, que a contratou e investiu para lançar o romance, R$ 50 mil apenas na performance."É óbvio que a uma indicação do Rubem a gente presta mais atenção. Mas a Paula está na Leya porque acreditamos que ela é um dos grandes talentos da literatura brasileira. E a Leya vai investir nela", disse Pascoal Soto, diretor da editora."Gonzos e Parafusos" conta a história de uma psicanalista que se interna num hospício e se multiplica em outras personagens, entre elas a baronesa de uma pintura de Klimt. O livro de contos de Paula, "A Dama da Noite" (2007), chegou a finalista da categoria "melhor livro de contos e crônicas" do Prêmio Jabuti. Foi malhado numa resenha no jornal de literatura "Rascunho", que o definiu como "pastiche" de Fonseca, com "marginalidade aos montes, uma visão idealizada do morro e sexo, muito sexo". Paula, 31, é formada em desenho industrial, com mestrado em belas-artes em Nova York. Em entrevista ao site "Observatório da Imprensa", em 2007, disse que não gostava de ler até conhecer, na adolescência, a obra de Fonseca."O Rubem me fez acreditar na humanidade (...). Talvez, por isso, não tenha hoje mais a capacidade de separar o homem, o escritor e a sua obra. Então, como não dedicar o meu primeiro livro para ele dizendo, "Para Rubem Fonseca sempre". O meu amor pela literatura e a minha crença na vida (...) nasceram através desse artista que se chama Rubem Fonseca."
"Não é nada disso", afirma romancista
DA REPORTAGEM LOCAL


Numa rara entrevista, Rubem Fonseca deu à Folha, pela primeira vez, a sua versão sobre a saída da Companhia das Letras. O escritor falou brevemente, no início da tarde de anteontem, no café da livraria onde viu a performance de Paula Parisot. (FV)

FOLHA - O que motivou a saída do sr. da Cia. das Letras?
RUBEM FONSECA - Não foi nada, me dou bem com o Luiz [Schwarcz, dono da editora], fui muito bem tratado na Companhia, gostei muito de ser de lá, mas tinha uma boa proposta da Agir e aceitei.

FOLHA - Mas o sr. quase foi para a Leya, né?
FONSECA - Quase fui, como é que você sabe? Pascoal [Soto, diretor da Leya] te disse, né?

FOLHA - Não, eu soube.
FONSECA - Eu tinha uma proposta boa da Leya e uma proposta muito boa da Agir. E eu adoro o Pascoal, é uma maravilha de pessoa.

FOLHA - Então a porta para a Leya não está fechada?
FONSECA - Não, não está. Eu adoro o pessoal da Leya, são muito bons, e o Pascoal principalmente. Tenho com ele uma amizade muito especial. Então o que houve foi isso, uma proposta, mas sempre fui muito bem tratado pelo pessoal da Companhia.

FOLHA - E sobre o rumor de que o sr. pediu para a Companhia não publicar um livro do [Roberto] Bolaño ["La Literatura Nazi en América"] cujo caricato protagonista seria inspirado no sr.?
FONSECA - Nada disso, não sou eu. Isso é fantasia mesmo. [A editora também nega.]

FOLHA - Eu tenho a informação de que o que motivou sua saída foi a insistência para que a Companhia publicasse o romance da Paula Parisot.
FONSECA - Não, não é nada disso. E esse negócio do Bolaño é pura fantasia.

FOLHA - Após 20 anos na Companhia, havia um desgasta na relação?
FONSECA - Pode até ser, mas adoro a Companhia, é uma ótima editora, adoro o Luiz, me dou super bem.

17 comentários:

Rejane disse...

Juro que quando eu li Roberto Bolanõ pensei que o Chaves tivesse escrito o livro... :S

Stella disse...

IDEM no comentário ali em cima. :x hahaha..

Eu desisti de entender esse mundo dos escritores/editoras... confuso demais tudo isso.

Miss Jones disse...

Também pensei que fosse o Chaves! Hahaha.
Mas gente... se essa história for mesmo verdade, eu tô é com INVEJA (saudável, senão é feio) dessa Paula Parisot... QUERO UM MESTRE DESSES!! Assim, amigo, com a ajuda de gente importante, até eu. "É óbvio que a uma indicação do Rubem a gente presta mais atenção." Pois é. Coitados dos bons autores que não têm um Rubem Fonseca como "padrinho"...

Carrie, a Estranha disse...

Gente, o Chaves se chama Roberto Bolaños, é isso? Bom, deve ser um nome como Roberto Silva aqui no Brasil.

Miss Jones disse...

É sim, Carrie, o nome dele é Roberto Bolaños. Aliás ele estava internado há um tempinho atrás... nem sei que desfecho isso teve, mas acho que ele não morreu, senão o SBT estaria fazendo um fuá...

trinity disse...

Putz...eu não fui a única a pensar no Chaves, kkkkkkkkkk!

anna v. disse...

Cara, que matéria escrota essa da Folha, hein. Que intriguinha baixo nível, tá parecendo a Veja. Tipo, PP foi causa da saída de RF da CdL: o autor nega, a editora nega, mas a matéria diz que foi, sem citar fontes. "Segundo a Folha apurou"? Ah, me poupe.

Carrie, a Estranha disse...

Ah, Anna, me desculpe, mas não acho não. Acho q faz total sentido.

Carrie, a Estranha disse...

PS: Já tinha ouvido esse papo do Roberto Bolaños, tb. Cara, q foi por um motivo pessoal forte, isso foi. Não foi por causa de grana pq a Cia das Letras tinha condição de cobrir qualquer oferta.

Na sua opinião - opinião mesmo, de achismo - foi pelo quê?

anna v. disse...

Mas nem quero entrar no mérito se foi esse ou não o motivo da saída dele da Cia. O tom da matéria é que achei muito escroto, arrogante pacas. E com essas aspas ridículas que fazem o RF parecer um senil velho-babão. "RF vira menino"?! Pára com isso!
Não sei se ele saiu por grana ou qualquer outro motivo. O que corre no mercado ("anna v. apurou", ha) é que ele recebeu 1 mi de luvas (NÃO de adiantamento) da Agir. Muito dinheiro, né? Só pelo passe.
Bjs

Carrie, a Estranha disse...

Anna,

Eu sei, mas é q o tom para c/ o Rubem (e eu tenho lido tudo q saiu sobre ele na imprensa desde q ele lançou o primeiro livro) é sempre de bajulação, seja qual for a merda q ele tenha feito. Os últimos livros dele são uma bosta. "O seminarista" tem erros gritantes - tipo ele mata um personagem e depois esquece q matou. Ok, o q tem a ver, isso é motivo pra falar coisas sem respaldo ? - vc me perguntaria. Não, não é. Mas eu consigo entender o saco cheio dos jornalistas de ouvirem q ele "não dá entrevistas", qdo na verdade ele dá, sim, mas só pros amiguinhos e pede pra sair como se fosse em off (ouvi isso de um ex-editor da Ilustrada) e as "pupilas" q ele mete goela abaixo das editoras - tipo Patrícia Melo q é uma cópia descarada e exata dele. Talvez por isso eu tenha entendido o tom arrogante da Folha. Tá na hora de alguém ter coragem de botar o dedo na cara do RF. Não, não é tudo q ele faz q é maravilhoso e sim, é ridícula essa "performance" e a presença dele e o mínimo q se espera é q a gente possa rir um pouquinho e sacanear.

O cara paga de bastião da luta democrática pq ficou 13 anos censurado qdo apoiou o regime militar(minha tese PROVA isso; nem fui a primeira a fazê-lo, como a Veja insinuou, mas fui a primeira a ter toda uma tese só sobre isso); paga de recluso, mas dá entrevista qdo lhe interessa e vai babar ovo de pupila q ele tá comendo...ah, vá se fuder, né? Chega uma hora q nego cansa e resolve usar um tom jocoso. Perto de tudo q já saiu sobre ele acho q não é nada.

Eu não entendo trâmites do mundo editorial e não sei o q é luva. Pelo q entendi é tipo um passe. Bom, qdo ele foi pra Cia das Letras (88 se não me engano) foi o maior acordo comercial já feito por um escritor brasileiro. DU-VI-DO q a Cia das Letras não tivesse grana pra cobrir o passe oferecido pela AGIR. O mais provável é q eles não tenham querido por algum motivo pessoal -como o próprio cara da CDL diz.

Bom, confesso q não sou a pessoa mais neutra pra falar sobre isso. Rsrsrs...

Carrie, a Estranha disse...

PS: E vc não acredita em "anonimato da fonte"? Quem é q ia confirmar uma história dessas, correndo o risco de ficar queimado no meio editorial? Claro q eles apuraram tudo em sigilo. Mas aí vc liga dois mais dois e pronto.

Docinho de abacaxi disse...

Carrie!
Vc leu a coluna do Xexéo de hj?
Tá hilária! E venenosa. :)

Carrie, a Estranha disse...

Oi Docinho,

Sim, li. Adoguei!

anna v. disse...

Quaisquer que tenham sido as motivações da matéria, eu achei que a execução ficou ruim. Se o RF "merece" ser sacaneado, ou "des-reverenciado", que se fizesse com um pouco mais de classe. Entendo o que você diz, mas continuo achando que a matéria ficou escrota. E esconder-se por trás de anonimato de fonte numa matéria desse tipo é a maior bandeira do mau jornalismo. Vamos combinar que isso não é um Watergate, né?

Sobre a luva: em geral, quando se contrata uma obra ou conjunto de obras, paga-se um adiantamento de direitos autorais, que vai sendo abatido conforme a venda do(s) livro(s). Essa é a praxe do mercado, não só no Brasil como no mundo. Pagar luvas significa pagar uma grana que não vai ser recuperada com a venda dos livros. É dar o dinheiro "a fundo perdido", por assim dizer.
Não tenho dúvidas que a Cia. teria 1 milhão de reais. Mas a questão é: será que hoje em dia o passe do RF vale isso? Vc deve concordar que a posição dele no mercado editorial (em termos de vil metal, não de prestígio) é bem diferente de 1988, não? Portanto se a Agir, do grupo Ediouro ($$$), fez essa oferta de 1 mi de luvas, a Cia. deve ter se perguntado: bom, será que o RF vale essa grana?
Meu pitaco: eu acho que não. Por mais que tê-lo no catálogo empreste MUITO prestígio a uma casa editorial, não acho que as vendas dos livros dele (incluindo adoções de governo) representem um valor tão expressivo no faturamento. Se não me engano, O Seminarista nem chegou a entrar em listas de mais vendidos - ou se chegou, só arranhou. Então, na minha humilde opinião, a Cia. deve ter achado que não valia o investimento, bem como outras editoras, que também mandaram suas ofertas numa espécie de leilão coordenado pela Lucia Riff, agente literária do RF.

A Agir, por outro lado, vem como uma política agressiva para construir um catálogo forte de autores nacionais. Antes do RF, comprou o passe da obra do Nelson Rodrigues por uma grana preta. Eles agora publicam também o Caio Fernando abreu, Mario de Andrade, Lucio Rangel, Sergio Porto. É um projeto editorial, que tem muita grana por trás. Se dá resultado, eu juro que não sei e tenho minhas dúvidas.

Se houve motivos pessoais nessa ruptura RF/Cia., eu acredito que eles podem ter tido um peso sim, mas foram secundários em relação ao lance do dinheiro.

Carrie, a Estranha disse...

Anna,

Sem dúvida vc é muito mais por dentro do q eu sobre o mercado editorial. Na minha opinião (altamente influenciável, pelo q vc pode ver) eu acharia q o RF tem muito mais prestígio hj do q em 1988 - em 88 não existia a quantidade de filme baseado na obra dele, ele ainda não tinha escrito roteiros p/ o cinema, ainda não tinham feito o seriado Mandrake, não existia esse séquito de seguidorAs dele, ele ainda não tinha ganhado prêmio ao lado do Gabriel Garcia Marquez...ok, já tinha ganhado muitos prêmios, mas...bom, realmente não posso dizer com certeza se há mais interesse nele hj do q no passado pq, como te disse, não compreendo os trâmites deste mundo editorial - e vc tem mais capacidade pra avaliar isso. Minha opinião é de pesquisadora e fã da obra dele.

Só achei q a matéria não está tão sem pé nem cabeça assim, q faz sentido. O tom foi jocoso? Foi. Mas e daí? Eu sou contra o tal jornalismo imparcial.

Bom, é isso o q eu acho.

Ventura disse...

Carrie, vc viu o video dela na caixa??

http://www.cronopios.com.br/gonzoseparafusos/dia1.html