terça-feira, julho 28, 2009

V

Já são quase sete horas e eu estou leve como há tempos não me sentia. Chorei litros. Escrevi quatro horas ininterruptas. Repeti coisas que vivo dizendo por aqui, como uma velha caduca, mas cada vez que repito é como se descobrisse novas nuances do meu pai. O que devem ter feito vocês pensarem: “quem ela pensa que o pai foi? Um santo? Um herói?”. Ri algumas vezes e pensei se finalmente ele ia aparecer pra mim para batermos um papo. Minha amiga Fló, que é espírita e tem intimidade com o povo de lá, diz que o telefone toca de lá pra cá, não daqui pra lá. E que, dentre outras coisas, entrar em contato com os mortos depende de merecimento – das duas partes. Da parte dele, não tenho dúvidas. Da minha parte, precisarei ainda viver uns 200 anos pra merecer falar com ele.

Pensando bem: e precisa?

23 comentários:

tak disse...

Lindo o texto!! Não tenho palavras... bjos!

mel disse...

E eu tô chorando por aqui.

A morte é uma coisa que nunca abandona a gente... e assim são as pessoas queridas tb.
E temos todo o direito de lembrar delas como herói, santas ou como bem entendermos. A memória é nossa mesmo. E o amor também.

beijos


(pd. Tb chorei mto faz uns meses lendo tuas cartas ao teu pai, que são mto lindas)

Cinthya Rachel disse...

sorte e merecimento seu ter um pai como esse.

Anônimo disse...

Em setembro chego aos dois machadinhos, quer dizer, espero chegar.
Lindo, Carrie, confesso que não chorei pq as lagrimas parecem estar secando junto com a idade. Mas, meu coração ficou "molinho", cheio de ternura pela filha que vc é e foi mesmo sendo uma "sortuda" com um pai tão maravilhoso como seu Herberto. Parabens, belo texto!!
Maria Alice

Mama and Papa disse...

Carrie querida do coracao:

BRAVO!
LINDISSIMO!
AMEI!
CHOREI.

Amo vc. Beijos

(meu pai tambem foi assim maravilhoso como o seu! temos muita sorte, nao? devo tudo aos meus pais! e tb tenho essa forte ligacao com o meu velhinho que esta no ceu e que amo muito)

Júlio César Meireles de Andrade disse...

Cosnis, que texto mais lindo!
sem palavras, com um nó na garganta...

"Menino, passarinho, passa a vida,
chega a morte e
um passarinho, surpreendentemente,
pára no ar!"
Tio Herberto me deu esse verso.
Um abraço!

Fer Moraes disse...

só não chorei pq 1º estou no trabalho, 2º parei na metade pra almoçar.
linda filha, lindo pai.
beijos

Raquel (NY) disse...

Lindo mesmo. Impossivel controlar as lagrimas.
Ah, nos tambem adoramos conhece-lo.
Beijos de todos aqui,
Raquel

Jussara disse...

De emocionar e chorar (parei várias vezes pra enxugar as lágrimas e depois voltar a chorar). Tão bom saber que existiram pessoas assim. Certamente seu pai tornou o mundo melhor em sua passagem pela Terra. E é bom saber tb que ele teve uma filha como vc, tão sensível e amorosa a ponto de captar tantos detalhes e sutilezas, e de saber ver o que mtos não conseguiram.
Ele teria a mesma idade que meu pai tem hj; tb sou filha temporã ou "raspa de tacho" e meu irmão do meio é 8 anos mais velho que eu. Deve ser mto difícil "perder" pai e mãe; toda vez que tento fazer um ensaio de como será qdo um dos dois se for, não consigo ir mto além, é triste demais. Ainda bem que existe esse intercâmbio com o além, que existem as lembranças e os pensamentos.

PS: uma curiosidade: no meio espírita, num caso assim, a gente diz que qdo a pessoa apresenta sinal de "melhora" é justamente pra traquilizar os familiares e estes o deixarem partir com mais facilidade. Digo em "casos assim", pq vc falou que o ex-aluno já tinha dito que ele não viveria mto mais, mas claro que tem casos de melhora onde a pessoa realmente se recupera e etc.

Clara Lopez disse...

Muito bom, carrie, gostei do I ao V, muito tocante seu texto e muito fortes suas memórias.
um abraço,
clara lopez

Carrie, a Estranha disse...

Oi Tak!

Muito obrigada!

Mel,

É, tenho várias cartas destas.

Cynthia,

Muita sorte, sim.

Maria Alice,

Meu coração tb sempre fica molinho qdo leio seus recados. Menina, eu ai perguntar onde vc mora aí, mas esqueci o nome do bairro q meu amigo falou...pântano, lago??? Algo do tipo?

Querida Hetie,

Vc é q é uma fofa! Obrigada por tudo.

Cósnis,

Só vc mesmo pra tirar versos assim, do nada. Ainda me lembro q vcs foram os primeiros a chegar, naquele dia de dezembro.

Fer,

Obrigada!

Raquel,

Sem palavras, minha amiga. Que bom q vc está por aqui.

Clara,

Mito sumida, vc. Que bom q ainda está aqui. Que bom q gostou.

Bj gde a todos.

Jussara,

É, as pessoas até falam em "visita da saúde", né?

Marcele disse...

Carrie, chorei baldes. Coração fica apertado, né? Tenho certeza do orgulho imensurável q ele está agora com vc dando aula na mesma faculdade q ele.
Bjsss

Anônimo disse...

lindo texto, cheio de emoção...
assim meu coração chora demais ...
bjs
Vivi

Anônimo disse...

Querida, moro em floripa, bem no centro histórico, quase ao lado da catedral e na esquina da Praça XV. Qual amigo? ele me conhece?
Beijos
Maria Alice
(Pergunto pq eu já tive meus 15 minutos de fama)

Karol disse...

Sempre leio seu blog mas nunca escrevi nada. Fiquei bem emocionada. Meu pai tb é um herói e sinto mta falta dele.
Um beijo

trinity disse...

O texto é simplesmente uma declaração de amor!
Fiquei realmente comovida!

Essa súbita melhora que vc mencionou eu já li na doutrina, é necessária que os familiares tranquilizem e de certa forma desliguem um pouco da pessoa para que ela faça a passagem.

Me disse...

afe, q texto lindo. guarde-o sempre consigo.
tava conversando c o namo ontem sobre a morte e como eh estranho o fato de um dia estarmos aqui e no outro dia nao mais. (ele perdeu o pai em abril e ainda eh mto dificil p ele)
sou espirita e na teoria entendo e concordo bonitinho c os estudos, mas na pratica as coisas mudam de figura. como o namo disse: o foda de morrer eh saber q o mundo vai continuar e q a gente nao vai estar aqui nessa festa.
a esperanca eh q recebamos o convite p outra festa, tao legal ou ainda melhor q essa.
beijos, se cuida (preguica de postar no blog, mas vou copiar e colar lá. rs...)
Pri

Carrie, a Estranha disse...

Vivi,

Muito obrigada!

Maria Alice,

É pq eu disse ao meu amigo q mora em Floripa e sempre me chama pra ir aí q agora eu tenho outra amiga pra ficar, qdo for aí. Aí ele perguntou quem e eu falei sobre vc, q era uma senhora de 76 anos (daquelas q espalha a idade dos outros, né?) e q morava com vários gatos. Aí ele disse q tinha um amigo q tb tinha ido pra lá visitar uma senhora, q tinha 76 anos e morava com vários gatos! Rsrsrsrs...o q não é uma coisa tão difícil assim, mas foi uma certa coincidência, mas ele falou de um bairro q eu não me lembro o nome, mas era algo como lago, ilha, pântano...anotei, mas perdi o papel. Enfim, delírios nossos.

Agora fiquei curiosa! Quais foram os seus 15 minutos de fama?

Karol,

Muito obrigada. Eu não sei se meu pai era um herói. Ele era apenas uma pessoa tentando fazer o melhor possível e fiel a si mesmo até o último fio da sua careca! Hehehe...

Trinity,

Obrigada. É, mas no caso do meu pai nem teve melhora, não.

Me,

É...muito difícil esse tema.

Um bj gde para todo(a)s.

Anônimo disse...

O pessoal lá da Fal sabe: eu dublei Branca de Neve, a Bela adormecida e A Guerra dos Dalmatas e mais centenas de filmes pra TV e, trabalhei 10 anos na Rádio Nacional do Rio como rádio atriz. trabalhei em outras mas esse foi meu recorde.
Minha casa é sua e, só tenho dois gatos: Caetano ou Opash e Lola apelidada de Indira. E eu sou a naja.
Beijos.
Maria Alice

ila fox disse...

Se isso te consola eu tenho a impressão que quando seu pai invade seus pensamentos assim, é que ele já está perto de você. Você só não vê.

Anônimo disse...

Amiiiiiiiga!!! Estou aos prantos e super emocionada!!! Que texto lindo!!!
Deu uma saudade do tio Herberto... e não só das máscaras!!!rsrsrs. Muito bom poder ter tido o prazer de conviver com um ser humano tão incrível... tão iluminado e tão "do bem"!!!
Não tenho dúvidas de que ele está por perto... sempre acompanhando os seus passos!!!Tomara que tb esteja acompanhando os meus!!!!
Fló.

Dalila disse...

Menina, que texto lindíssimo! chorei aqui com vc...que história ... por que não transformas isso em um livro? até eu, que escrevo muito menos (em qualidade) que vc, escrevi um livro para contar sobre o meu irmão...

Mas sabe, esse seu texto já deixa aqui uma belíssima homenagem, de coisas únicas, tão belas como o beja-flor e tão fortes quanto os relogios parados para marcar vida de uma pessoa única, tão interessante e forte como foi seu pai, cuja história não foi só mais uma, não foi esquecida, não será jamais...
E girl, acho que o fato de vc senti-lo perto de vc já é um grande presente do povo que mora do lado de lá... o telefone pode não ter tocado ainda, mas a conexão parece que já está feita...

bjs e obrigada por compartilhar essa história tão emocionante conosco.

Carrie, a Estranha disse...

Maria Alice,

escreve pra mim! Quero saber mais!

Ila,

É, eu tb acho.

Fló,

Muitas saudades. Lembra? Muito fofo, o meu bebê...

Olhará por todos nós. Sempre.

Dalila,

Muito obrigada, mas sempre acho q isso vai interessar apenas a minha família. Sei lá. Quem sabe um dia?

Bjs