terça-feira, outubro 28, 2008

Outonais

Hoje é dia de pagar El Greca. Ai, ai. Contei e recontei a dinheirinha pensando se dava pra tentar qualquer negociação. Não dá. Pus no envelope e ta lá na Tábua da Comunicação, esperando ela chegar. Mas que eu acho uma sacanagem, acho. Não ter que pagá-la, já que foi esse o combinado, mas todo o contexto. Sei lá. Eu queria pleitear um abatimento pelos danos morais que ela tem me feito passar.

E hoje eu vi o landlord – adoro esse nome! “landlord”, senhor das terras, lorde das terras, “milady o landlord quer vê-la imediatamente. Seu criado a espera nos jardins”- saindo do prédio da frente. Ou ele mora lá ou ele é realmente o Senh
or das Terras.




Agência de fome(nto) me pagou as duas últimas parcelas juntas. Tô rica!





É, tá acabando minha gente. Nem acredito.


Aí eu fico pensando no que vou fazer com dinheirinha que sobrar: torro tudo em Victoria’s Secrets, torro tudo na Staples (achei umas canetas incríveis por 1,99), torro tudo em chocolate (pois a promessa é de não comer chocolate enquanto eu estiver aqui, isso não quer dizer que eu não possa comprar um pouco antes de ir pro Brasil e levar), torro tudo no Strands ou torro tudo em chá? Provavelmente um pouco de tudo, diria o caro leitor. Mas, dado o fato de que, se sobrar, deve ser uma quantia incrível do tipo 12,33, não vai dar pra escolher muito, não.

Terça é dia de laundry. Às vezes é sábado, mas terça é o dia que eu cheguei e o dia em que eu troco de lençol e toalha. Até tinha pensando em trocar de 15 em 15 dias – o lençol – mas faz pouca diferença na quantidade de vezes em que eu preciso ir a laundry. E resolvi que, já que essa casa é um nojinho, pelo menos o que eu puder fazer pro meu canto ficar limpinho, vou fazer. Comprei o amaciante mais cheiroso e caro, bleach e sabão e deixo tudo bem cheirosinho. Hoje até a capa do edredon eu levei pra lavar. Aliás, acho que vou dar uma capa de colchão pra ela. Isso é baratíssimo aqui e eu não sei porque ela não troca a dessa cama, que já tá rasgada. Quero dizer, sei sim. Ela é miserável. De um tipo de miséria complicada de mudar. Como bem disse Formiga Irmã, ela é miserável com ela mesma. Uma pessoa que não tem carinho por si mesmo, que aos 49 anos de idade se presta a essa vida de roommate dormindo na sala, sem um lençol (e lençol aqui é tããããão barato), não pode ser generosa com ninguém.

Eu não entendo gente que guarda lençol novo, creme, perfume pra ocasiões especiais. Eu sou minha ocasião especial. Quando acabar, acabou. Estou aqui, após me bezuntar no meu VS de baunilha, tomando meu chazinho de amêndoa torrada, canela e laranja – quase uma janta. Sou praticamente um muffim. Tenho vontade de me morder com tantos cheirinhos doces sobre mim.

Aliás, como diria minha miguxa do outro lado da poça – outra poça, na terra da rainha - chazinho de jasmin no meio da tarde é como tomar um gole de flor.

Descubro gostos aqui que eu nem sabia que tinha. Hoje me deu vontade de comer torrada de alho com pasta de sardinha e maionese light. Também ando com desejos de queijos diferentes. Cansei dos chips integrais e batatinhas.





Comprei meu terceiro guarda chuva hoje. O primeiro custou 99 cents. Quebrou. O segundo 3,99. Durou um pouquinho mais, mas também quebrou. Esse custou 5,49. Espero que dê até o final. Pelo menos ele já virou com a chuva de hoje e tornou a voltar pra posição, pois é de plástico. Ponto pra ele.

Mab me disse que tem um guarda chuva especial para neve, que custa 50 dólares, mas é super resistente. Perguntei ao Oráculo, a Raquel, e ela não conhece. Então não existe. O que Oráculo não conhece não existe. Period. Aliás, sabedora de minha paixão por Berverly Hills 90210 (o nosso Barrados), Raquel comprou a primeira temporada e me emprestou. I coração Raquel. Sugestão para camisetas à venda em pontos turísticos de NY. Chamem Raquel para resolver a crise financeira. Raquel para equipe do Obama.


Limpei meu quarto com paninho cheiroso e usei 5 deles – e todos saíram pretos. Tive que parar porque acabaram os paninhos. É um tipo de sujeira que não sai mais, foi a conclusão que eu cheguei. São camadas e camadas. Por mais pesada que seja a faxina, ela será sempre paliativa. Acho que agora só fazendo obras. Trocando piso. Aspiro o pó – nunca vi passar aspirador em taco, mas é um aspirador pra isso – e passo paninho cheiroso, troco lençol, arrumo armário e finjo que vivo num lugar decente.




Aliás, uma das maiores diversões de brasileiros quando se encontram aqui é falar de como os gringos são porcos. Muito porcos. E do pior tipo de porco: o que se acha limpo. Porque americano tem uma paranóia de germes e bactérias então sai tacando spray achando que limpa. Tipo a Zorba. Ela resolve limpar o banheiro meia noite. Taca umas sodas cáusticas, sei lá o que. Mas não se dá ao trabalho de varrer o banheiro. Nem tomar banho. Mas na cabeça dela isso é limpeza. Se bobear deve me achar porca de botar minhas calcinhas pra secarem no meu quarto.

Todos os gringos – pelo menos os de países frios – são porcos. O francês leva a fama, mas ultimamente ouvi cada história tenebrosa de alemães, ingleses...Tuuuudo porcalhões. Podem ser melhores do que a gente num monte de coisa, mas em matéria de limpeza...

Ouvi de um brasileiro que quando ele chegou aqui ficou tão apavorado com a sujeira do apartamento dele que falou pra faxineira: “estereliza. Quero igual hospital. Adoro hospital”.

De onde eu fiquei sonhando em chegar no meu quarto em Gotham City e encontrar tudo cheirando a álcool, o lençol quarado, de amaciante, água sanitária (ai, que saudades da água sanitária!) no banheiro, toalha branca, muito branca, felpuda...aliás, toalhas deveriam ser todas brancas. Porque aí você joga tudo na máquina, água quente, e você vê a limpeza. Deixar roupa de molho, depois secar no sol...delícia.

Isso e laranja. São as coisas que eu tô sentindo falta – fora as pessoas, mas pessoas não são coisas. Laranja aqui é muito ruim e vende a unidade. Que nem banana – que só existe d’água e eu detesto.

E os brasileiros dizem “eu tenho mania de limpeza”. Não, amigos. Nós não temos mania de limpeza. Todo brasileiro que eu encontro fala isso. A gente é limpo. É diferente. Claro que há exceções dos dois lados. Mas, em geral é assim.






Preciso passar e-mails. Muitos. E encontrar pessoas. Amigos de amigos. Preguiça. Muita.

4 comentários:

Lívia disse...

Realmente... eu não consigo entender essa limpeza estranha que eles acham que tem!
Já fui algumas vezes para os EUA e o que pega mesmo são esses sprays contra germes. Mas banho que é bom, nada!
Além disso, naquele outro texto que vc falou sobre o cara que soltou um pum, ah!!! Isso para eles é normal. Eles soltam em qualquer lugar. Não há o mínimo de educação e respeito.
Se eu tenho mania de limpeza? Que nada! Eu sou apenas uma pessoa normal, que toma dois banhos por dia, que não tolera poeira e que não suporta louça suja na pia. Isso lá é mania de limpeza? É nada. É só ser normal, oras! hahahaha

Pil disse...

Putz! Pior é que eles são porcos mesmo! Todos! Os ingleses nem dá pra comentar. Morei um ano por lá e não me acostumei com a falta total de higiene deles. Do tipo: ter carpete por toda casa + muitos gatos = NUNCA passar o aspirador!!! Teve uma casa que fui que parecia aqueles filmes de faroeste em que a "moita" fica rolando, só que ao invés dela era bola de pêlos.. um horror! Pra não falar mau só deles, vivi com umas espanholas que deixavam a panela apodrecer e ficar verde de fungos na pia até usar novamente. Ai passavam uma agua por cima e cozinham ali mesmo! Tipo "helloow"??

Carrie, a Estranha disse...

Lívia e Pil,

Yess! You know what I mean! São todos os gringos.

Vanor disse...

hahaha. São as diferenças culturais: higiene é hábito, não tem jeito. Quando estava na Inglaterra, ouvia os italianos reclamarem de suas landladies inglesas, que afogavam a louça suja numa bacia com água e sabão e depois simplesmente secavam (sem esfregar ou enxaguar). Chegamos a aventar a hipótese de a água ser cara demais por lá. Ou o sabão: tão caro que é melhor comer a desperdiçar.