quarta-feira, maio 28, 2008

Sobre médicos e História


E então que eu finalmente fui a um ortopedista. Ele examinou meu quadril, disse que aparentemente não parece que eu tive uma lesão nessa região – pois consigo fazer os movimentos e só dói quando eu ando...hahahaha – e que pode ser uma irradiação de uma dor na lombar. Pediu chapas do quadril e da coluna. Conversamos sobre Pilates (que ele inclusive pratica e diz que joga tênis muito melhor do que há anos atrás – adoro gente que pratica tênis. Acho tão Upper West Side!), RPG (planos x particular), o futuro da fiosioterapia - ou a ausência de, dado a enorme quantidade de profissionais - e outras amenidades.

Mas a hora que ele mais gostou foi quando eu disse que fazia doutorado em História. O cara abriu um sorriso e começou a dizer que às vezes ele pensa que deveria ter ido para uma área mais humanística, ter uma formação geral – alooou! A paciente sou eu!

(Parênteses: é engraçado como a gente tem ilusão sobre áreas que não são as nossas, não é verdade? Todo mundo acha que doutorado em história – ou mesmo graduação – te dá uma formação geral, humanística, que é super gostoso, que você vai passar o dia descobrindo fofocas sobre as figuras históricas - até pode, mas não necessariamente - que você será capaz de dissertar alegremente na hora do almoço sobre as Guerras Púnicas ou o futuro das FARC após a morte do seu líder-fundador enquanto corta o bife e passa a alface. Não. Doutorado é um conhecimento tão, tão, tão específico, e você fica tão chafurdada com aquilo lá, que eu tenho até vergonha quando me perguntam quem foi o segundo presidente da República Velha e eu não me lembro. Aí a pessoa me olha com a cara mais espantada do mundo e diz: “mas você não faz doutorado em História???!!!”. Aí eu tenho que explicar que meu doutorado é em História Contemporânea do Brasil, na área de história social da cultura e que pra questões como essa existe o google. Para todas as outras existe o mastecard.

Além disso, a idéia que a maioria das pessoas tem da História é aquela do segundo grau: fatos, causas e conseqüências e que História é o que acontece no passado - mas o que é o passado? Cinco minutos atrás já é passado? Vocês sabiam que existe uma área chamada História do Tempo Presente? A forma como a minha empregada dobra as roupas é história? Ou antropologia? Essa concepção da História que nos vem a mente quando pensamos na disciplina é o que menos se aprende em um doutorado, muito mais preocupado em aplicar uma metodologia de análise em determinado objeto – que, por mais incrível e sensacional que seja a sua descoberta, será mais uma visão sobre determinado assunto e não necessariamente um fato com causas e conseqüências lógicas e interligadas...compliquei?

E quem faz graduação menos ainda. Aí a pessoa tem uma formação mega-geral e quase sempre não se lembra de nada porque passou grande parte da graduação fumando maconha no DCE, tentando comer as menininhas ou menininhos - ou ambos, o que é mais comum – e protestando contra qualquer coisa que o governo quis fazer, mas já não vem ao caso. Ou todas as alternativas anteriores.

“Mas”, como diria Belly, “tergiverso”. Voltemos ao ortopedista. Pode fechar, seu parênteses!).

Ele – o ortopedista, não o parênteses - não deu a mínima pelota pra minha bolota no pulso. Quer dizer, examinou e tal, deu uma explicação sobre o porquê e de onde vêm as bolotas, mas disse que só se operam bolotas muito grandes – o que não é o caso da minha. E que elas voltam. Não a mesma, mas nasce outra perto. Quando eu enchi muito o saco dizendo: “como assim, doutor? O que eu faço com a minha bolota?” ele me receitou um anti-inflamatório para diminuí-la e melhorar a dor (não dói muito, mas dói...podendo tomar um remedim a gente agradece!) e uma tal de Digitala – que eu já comprei e estou usando.

(Meu pai, que era médico, sempre falava de alguns tipos de pacientes que sempre querem ouvir que seus problemas são mais graves do que são. Ou, quando o cara tinha acabado de operar, sei lá, o saco – papai era urologista – perguntava se podia comer de tudo, se havia alguma restrição alimentar...enfim, piadinhas de duplo sentido me vem à mente, mas poupá-los-ei dessa infâmia).

Eu achava que o cotovelo tem que ficar a 90 graus enquanto se digita, mas ele disse que o mais importante é apoiar o antebraço – tem até uma almofadinha que vende em casa de produtos de informática. E, no meu caso, não mexer o pulso – daí a tala.

Ah é. O cara é especialista em ombro, cotovelo e lesões esportivas. Eu, como todos vocês sabem, sou uma atleta de nível. Nível bola.

Aí fui numa lojinha só de produtos ortopédicos. Amei! Minha porção hipocondríaca se encontrou com a consumista e foram as duas alegremente de mãos dadas passear pela loja.

Gostei desse ortopedista porque ele é realista. Não fica tocando o terror. Sabe que postura correta é muito difícil, que ninguém senta nos ísquios - ôpa! - o tempo todo, mas que há os paliativos. Mandou eu fazer bicicleta - praticar, quero dizer, não confeccioná-la - enquanto meu quadril estiver assim, que é o que menos força o joelho – jura? Eu achava que o movimento não era legal, não. Ainda bem que aqui em Versailles contamos com um amplo complexo desportivo, provido de uma bicicleta ergométrica, uma esteira e um mini-trampolim...ah é...preciso perguntar o que ele acha do mini-trampolim. Adooouro consultas.

E vocês, meus queridos leitores informados e hipocondríacos, já tiveram problemas ortopédicos? Como lidam/lidaram? Seu equipamento é ergonômico? – sem duplo sentido, por favor. Aceito opiniões e sugestões de produtos.

11 comentários:

Joel disse...

Carrie
Pelo visto doutorando é aquele que sabe tudo sobre nada e graduando sabe nada sobre tudo.

Ana Manga disse...

Ei Carrie miguxa! Bem, acho que o jeito são os paliativos mesmo. A gente acaba passando muito tempo sentada. No meu caso, se não é digitando é assistindo aula, se num é um nem outro é procrastinando na internet. Ando com uma dor nas costas pq só sento de perna cruzada e fico torta. O calo no dedo médio da mão direita já virou uma coisa assim meio aleijão e meus óculos tão precisando de mais grau. Enfim, espero um dia ter um emprego q me permita fazer pilates, yoga e - quem sabe? - até jogar tênis. Mas fiquei pensando nisso q vc falou, das pessoas acharem (no meu caso também) que fazer doutorado em literatura tem esse glamour de passar os dias recitando versos e degustando clássicos sob uma árvore. E eu tb morro de vergonha quando erro os nomes dos clássicos e não li um livro que alguém me pergunta. E tenho que explicar que o doutorado é numa área específica de literatura contemporânea que blablabla... Enfim. Adorei saber que há a História do Tempo Presente. E de mais a mais, seus posts são sempre um conforto. Eu sou daquelas pessoas que adora uma reunião tipo vigilantes do peso pra tudo que é problema. Assim que um "companheiro" dá seu testemunho, de algo que se relaciona ao que tô vivendo, me dá um alívio, assim, uma impressão de grupo, de que tá tudo certo, eu num me afogo sozinha, tem uma galera mundo afora se debatendo na água também.

Bjoks pra vc!!!!

Anônimo disse...

"Aí a pessoa tem uma formação mega-geral e quase sempre não se lembra de nada porque passou grande parte da graduação fumando maconha no DCE, tentando comer as menininhas ou menininhos - ou ambos, o que é mais comum – e protestando contra qualquer coisa que o governo quis fazer, mas já não vem ao caso."

Rachei de rir! Isso é de praxe em qualquer graduação em História.

Renata disse...

Oi Carrie,
acompanho seu blog ha algum tempo e dessa vez resolvi dar pitaco, sou fisio e trabalho com tratamentos posturais. Me mande seu email q posso te passar umas dicas (re_terra@yahoo.com.br)
Ate mais

nóis disse...

Meu irmão tbm teve uma bolota no pulso por anos, acho que uns 5 ou 6. Do nada a bolota começou a diminuir e sumiu. Nenhum médico quis removê-la. Diziam que não era malígno, portanto não necessitava a remoção. Mas deve ser um saco ficar ali com aquela bolota, né? Só sei que a bolota ninca mais voltou.

Sobre a postura, me diz uma coisa, vc tem problema de coluna? Eu tenho hiperlordose lombar e me aconselharam a fazer abdominais para eu sentir menos dor, acredita?

Beijos

P.S. Respondi suas perguntas no meu próprio blog, se eu respondesse aqui, as pessoas achariam que eu não bato muito bem...

Carrie, a Estranha disse...

Joel!

Sumido!

Ótima definição! Vou adotá-la!


Ana! (outra sumida)

Eu tb adoro reuniões de auto-ajuda. Meu sonho é frequentar todos os grupos de auto-ajuda possíveis, uma coisa meio Clube da Luta, sabe?

Anônimo,

Quem é vc? Diz aí!

Renata,

Legal! Vou te escrever, sim. Obrigada.

Nóis,

Bolotas temperamentais...mais essa para lidarmos. Muita pressão.

Vou lá ler.

Bjs a todos

Blueberry Girl disse...

Ai, fiquei mais aliviada com a minha dor no quadril! Então vou continuar sem ir ao médico, mesmo.

Carrie, a Estranha disse...

rsrsrsr...mas eu acho q vc deveria ir!

Silvana disse...

Oi, Carrie...eu venho aqui todos os dias, há bastante tempo, adoro, mas nunca comentei ( não sei por que ), então hoje recebi um selo e estou passando pra os meus blogs favoritos. Mais uma vez, adoro o seu blog, agora espero perder a timidez e comentar sempre, mas estou sempre aqui, independente disso.
Beijos...

Mais um na multidão disse...

Quando alguém lhe perguntar algo sobre história e vc não souber, fala: "AH, JOGA NO GOOGLE!"

Parabéns pelo blog

Muito bão

Ana disse...

Oi Carrie, a gente almoçou uma vez aqui em Niterói, não sei se vc se lembra, no Plaza (com Andrea, Bella, Cris, Paulinho). Engraçado, tem tempo que não venho aqui (voltei pelo Sublimes Conversações), e vc com problema parecido com o meu. Tô sem conseguir andar, minha conhecida dor de coluna velha de guerra aumentou e foi parar nos quadris e pernas. Tb tô esperando parecer médico...

Em relação ao google, parece o que eu falo quando me perguntam a tradução de alguma palavra em francês e eu não sei:

- Ué, mas vc não é professora de francês?

- Professora, sim. Dicionário, não.