quinta-feira, maio 31, 2007

Meu Raio de Sol



Quando eu era criança achava graça quando ouvia as pessoas perguntando em que dia cairia o dia das mães daquele ano. Eu não entendia que era um feriado móvel. Calma, Leitor. Eu sei que o dia das mães já passou há algumas semanas. Já explico porque estou falando isso e porque esse pensamento me causava estranheza: para mim, dia das mães e o aniversário da minha mãe eram sempre no mesmo dia. Claro que isso ocorria porque eu era uma criança e não tinha muita noção de tempo – já que eram ambas as datas No mês de maio. Mas creio que há também outro motivo para esta confusão: é o fato de que minha mãe é o meu modelo de mãe. E hoje é o aniversário dela.

Minha mãe é uma mãe profissional. Se houvesse escola para mães ela seria a diretora. Minha mãe fez do ato de ser mãe uma carreira e se especializou nesta com louvor.

Minha mãe é uma mulher dos anos 50. Ela tinha aula de economia doméstica no colégio. De corte e costura. De culinária, com caderno todo desenhado, que ela tem até hoje. Em uma época em que não existiam inovações tecnológicas do lar. Minha mãe foi miss na cidade dela, em 1956. Pesava 45 quilos e é da minha altura.

Em um desses caderninhos de receitas tem uma historinha de uma menina chamada Raio de Sol. Raio de Sol era a rainha da casa de seus pais e sonhava em se casar com um médico do Rio de Janeiro. Minha mãe se casou com um médico do Rio de Janeiro. Os céticos podem dizer que ela deu o bote quando viu um bom partido chegando a sua pequena cidade. Eu acredito que contos de fada existem e que sonhos se tornam realidade (sim eu, Carrie White, sou obrigada a confessar que, às vezes eu acredito em contos de fada).

Minha mãe até chegou a trabalhar fora de casa, como professora, mas optou por ser uma dona de casa e cuidar dos seus cinco filhos. Quatro de parto normal, todos tranqüilos, sem dores, sem problemas. Só eu de cesariana, pois ela já tinha 41 anos e queria ligar as trompas.

Eu sei que qualquer feminista diria que ela foi oprimida e a opressão foi tanta que ela nem percebeu. Mas o fato é que ela foi e é muito feliz assim. Ela e meu pai tinham um acordo: ele ganhava o dinheiro, ela administrava-o, juntamente com a nossa casa. Viveu por mais de 40 anos um feliz casamento com o meu pai.

Quando digo que minha mãe é o meu modelo de mãe não tô dizendo que a receita para se ser uma boa mãe é ser como ela. Apenas digo que a minha mãe foi feliz assim. Se existe alguma dica ou receita acho que seria essa: ser feliz.

Minha mãe sempre esteve ao nosso lado, em qualquer situação, mesmo que nem sempre concordasse com nossas opções. Ela evolui com o tempo. Ela aprendeu a mexer em computador há pouquíssimo tempo e tira onda entre as pessoas da idade dela. Minha mãe costura. Minha mãe cozinha. Minha mãe pinta em porcelana peças maravilhosas e faz exposições pelo Brasil e pelo mundo. Minha mãe terá um blog em breve para divulgar suas peças.

Eu nunca ganhei carro, viagem pra Disney, festa de quinze anos e coisas desse tipo. Graças a Deus. Em compensação, nunca me faltou dinheiro para cursos e livros. Minha mãe dizia que “saber não ocupa espaço” e que o conhecimento eu poderia levar pra onde quisesse e ninguém nunca me tomaria, ao contrário de bens. Na minha casa sempre se deu um jeito pra essas coisas. Por incentivo do meu pai e da minha mãe. Assim eram os dois. O equilíbrio perfeito.

Minha mãe conta casos como ninguém. Minha mãe vai fazer 71 anos e parece ter 60. Nunca usou cremes. Nunca fez regime. Nunca fez plástica.

Minha mãe se interessa pelos assuntos de cada um de seus filhos – e olha que nós somos muitos e temos assuntos variados. Separa coisas no jornal que ela acha que pode interessar pra minha tese. Me liga pra dizer que “fulano de tal vai ser entrevistado não sei onde”. Vibra com cada conquista e, se não dá certo, ela diz que não era pra ser, não era a hora, mas vai chegar o momento.

Minha mãe me ensinou a maior lição de todas: a vida é essa e vamos em frente. Minha mãe vai em frente. Sempre.

Pra ela, que é meu bebezinho, minha querida, meu babyssauro, minha fofa, fofa, fofa, um feliz aniversário e muitos, muitos, muitos anos de vida.

9 comentários:

Anônimo disse...

Muito lindo,fiquei emocionada...

Márcia Motta

Bella disse...

mto fofo mesmo, mas não rola uma fotinha da mamis não??

Carrie, a Estranha disse...

Obrigada, meninas.

Ih, Bella! Podem querer sequestrá-la se virem uma foto dela. De tão fofa q ela é! Rsrsrs...melhor não.

osvjor disse...

lindo texto, Carrie

Anônimo disse...

Estava precisando de um texto assim pra melhorar o meu dia, Obrigada. Muitos beijos e desejos de alegrias, saúde e muita luz pra sua mãe.

Sandra Lee

Anônimo disse...

Minha filhota fofa So o amor justifica este texto tão bonito. Fico feliz e lisonjeada com suas palavras e mesmo sabendo não merece-las chego a uma feliz conclusão: foi uma combinação que deu certo carioca do seu pai com mineira da sua mãe; FILHOS INCRIVEIS FANTASTICOS EXTRAORDINARIOS.
Desculpem a empolgação mas é por conta da emoção.
Beijos
Mother

Carrie, a Estranha disse...

Osvjor, obrigada.

Sandra, que bom. Obrigada.

Meu bebezinho lindo e fofo! Claro q merece. Isso e muito mais. Eu é q não mereço os adjetivos de incrível, fantástica e extraordinária!

Te amo muito.

bjs a todos

Monica disse...

chorei.com.br

Jussara disse...

Lindo texto, Carrie :).