quinta-feira, dezembro 07, 2006

Post de Natal


Então eu vou escrever o meu post de Natal. Sim, em quase todos os blogs já leio as pessoas falando coisas de Natal. Quase sempre falando mal do Natal. Sobre o corre, corre etc. Pois eu adoro Natal. Amo Natal. É a festa que eu mais gosto. Mesmo com meu querido pai tendo morrido dia 5 de dezembro. Mesmo com minha querida tia Kaká tendo morrido de forma trágica no final de novembro. Mesmo com tio Guido tendo morrido em outubro. Mesmo a amada Tia Luziel estando entre a vida e a morte no CTI, há mais de 15 dias e de não sabermos como ela estará – nem se estará – no dia 24/25. Mesmo com tudo isso eu amo Natal. Porque também há minha sobrinha Paulinha, de 10 meses, também há João Francisco, meu priminho de 7 meses e também há Matheus, meu outro priminho de 7 anos (ou oito? Deus, como passa rápido!). Porque o Natal é isso. É vida. E a morte faz parte da vida. E todo ano tem sempre pessoas indo e vindo pelos mais variados motivos.

Nunca acreditei em Papai Noel. Quando era criança a gente passava muitos natais em Volta Redonda, só nossa família nuclear. Eu era a única criança. Sempre ficava acordada até tarde. Logo, sempre soube que não existia nenhum velhinho gordo que me trazia presentes. Sempre fui encarregada da decoração natalina da minha casa. No início mamãe comprava pinheiros que sempre morriam. Era sempre aquela luta: tem que comprar com a raiz, plantar não sei aonde, fazer milhares de simpatias e rezar pro bicho não morrer até a noite de Natal. Até que mamãe optou por uma enorme, frondosa e verde...árvore artificial.

Me lembro de um Natal que a gente passou aqui no Rio, com a família do meu pai. E o meu pai se vestiu de papai Noel. Nesse dia eu confesso que eu quase acreditei em Papai Noel. Como assim, aparece um velhinho na porta, do nada? Mas aquele velhinho tinha algo de estranhamente familiar. E eu comecei a lembrar de uma barba branca que eu tinha visto no quarto e...

Depois passamos alguns natais em Andrelândia, terra da minha mãe. Sul de minas. Bom demais. Mesmo o ano que eu vi o Boi, um menino de rua amiguinho nosso, ser atropelado na minha frente e morrer.

E aí, depois de alguns anos, voltamos a passar em Voltaço. A princípio tia Luziel e primos queridos não vinham, pois ela e tio Sérgio ficaram 10 anos separados. Depois eles voltaram e ela voltou a passar Natal conosco. Mas Sissy, minha prima, não vinha. Depois Sissy se rendeu e passou a vir.

Depois teve Flávia, namorada de Juninho e mãe de Matheus, que passou a vir. Esse ano ela vai fazer uma grande falta. Mas teremos Maria Zélia, namorada de Primo Poeta e mãe de João, que nunca passou conosco. Pessoas vão, mas pessoas também vêm.

E os Natais lá em casa são sempre muito animados. Tem choradeira e rezas, pois somos mineiros e mineiro tem sempre um quê de tristeza que não consegue se separar. Mas também tem música. Tem comida. Tem bebida. Tem risos. Tem gente bêbada falando coisas hilárias. Tem o não menos hilário amigo oculto, cujos mestres de cerimônia são Primo Poeta e Rimão do Meio – e tem até trilha sonora: “Tempo”, do Pato Fu. A festa é tão animada que minhas amigas Fló, Fernanda e quem mais estiver pela cidade sempre vão lá pra casa depois da meia noite. Tem Cunhado Único, que sempre chega no dia seguinte, super cedo, com presentes malucos e pedindo cerveja. Já teve João, meu ex-namorado, que também ia e até a mãe dele, a Nauri, já foi.

Ano passado teve até datashow alugado, pois Flávia fez uma montagem emocionante de fotos dos dez anos do nosso natal e passamos numa grande parede da sala.

As pessoas falam sobre a superficialidade do Natal, sobre a correria dos presentes, a festa do comércio e a perda do verdadeiro espírito de natal. Bom, há natais e natais. Cada um faz o seu natal como pode e como quer. O meu natal é sempre uma época mágica, mesmo com todos os problemas que sempre tivemos e sempre teremos. Mesmo com papais Noel suando, com shoppings lotados e um calor dos infernos (e vocês sabem o quanto eu odeio calor). Mas em algum momento, o espírito do natal te pega pelo pé. E você se vê chorando diante de um enfeitezinho da infância. Com certeza esse ano o Natal será mais vazio, sem tia Luziel e família. Mas outras pessoas vão estar. Pessoas novas. Pessoas que vêm pela primeira vez. Eu acho que o espírito do Natal é a gente quem faz.

Primo Poeta certa vez escreveu estes versos e leu na mesa, antes da ceia – temos um momento em que as pessoas dizem o que querem, uns rezam, outros apenas dizem o quanto é bom estar ali etc. Finalizo com eles. Pois Natal é isso. Pessoas vão. Pessoas vêm. Mas o que importa fica.


Nas horas mais difíceis,
Dos mais tristes dias do ano,
Uma lembrança sempre me conforta...

Nos momentos de solidão,
Quando a saudade castiga
Com um aperto na garganta,
Uma alegria desponta...

Sei que nunca estou só,
Pois acompanham-me, sempre,
Os maravilhosos sorrisos dos
que profundamente amo

Estes sorrisos ao redor da mesa
...o Natal na casa da Tia Malu!

(Júlio César Meireles de Andrade)

4 comentários:

Nessa disse...

também adoro Natal! mesmo com as tristezas...

minha família no Natal, ao contrário da sua, é sempre a mesma. por isso acho que sentirei muita falta quando algum deles não estiver mais... mas pretendo continuar gostando de Natal.

o engraçado é que mesmo cantando tanto, durante tanto tempo, quase sempre as mesmas coisas, sobre Natal, eu não enjoei! claro que não gosto daquelas "indiadas" (ô termo horrível!) de ficar repetindo e repetindo Noite feliz, mas ainda há "um quê" de mágico nisso tudo.

Estela Carvalho disse...

Nossa, não gosto não, do Natal. Mas isso deve ser porque a minha família é composta só de eu e a minha mãe, e, convenhamos, não dá pra ser muito animado. Fiz uma Cartinha ao papai noel, entre as cousas que escrevo em meu blog. Se tiveres curiosidade, leia! Eu gostei, ninguém comentou...rs...
Adorei seu blog, muito legal.
http://estelacarvalho.zip.net/arch2006-11-19_2006-11-25.html

M.Eduarda disse...

Eu também AMO o natal independentemente de qualquer coisa!

beijos

Carrie, a Estranha disse...

Oi, Estela!

Obrigada. Vou passar lá pra ler qualquer hora. Um bj.

Nessa e Duda,

Pois é. Eu tb, eu tb...

bjs