sexta-feira, agosto 18, 2006

...E o leite mau na cara dos caretas!

Contra todas as hipocrisias...

MEUS CINCO MINUTOS DE FAMA (por Bruna Surfistinha)
Há três tipos de famosos:
- O primeiro tipo eu defino como os que foram dormir como pessoas anônimas e, que acordaram já vivendo nos “cinco minutos de fama”. Tudo aconteceu por um acaso. E quem faz parte deste grupo, não desejava a fama mas aproveitou o momento como uma forma de aprendizado e, reconhecem que se tiveram esta oportunidade, é porque tinham algo a acrescentar.
- O segundo tipo eu defino como pessoas que desejam ser famosas. São pessoas que fazem qualquer tipo de coisa para aparecer na mídia e ter os “cinco minutos de fama” forçados. Se precisar colocar uma melancia na cabeça e sair andando na rua? São capazes!! Pagam qualquer tipo de mico e/ou se fazem de coitadinhas.
- O terceiro tipo eu defino como as celebridades instantâneas, são as pessoas que aparecem em todos os veículos da mídia possíveis durante uma semana ou até um pouco mais. Mas depois somem do nada e voltam a viver numa vida anônima.
Eu me encaixo perfeitamente no primeiro tipo. Tudo aconteceu por um acaso.Lembro muito bem, foi no dia 16 de agosto de 2004, quando o jornalista Pedro Doria ligou dizendo que gostaria de fazer uma matéria para o site “nominimo”. Ele me “encontrou” num fórum onde os clientes avaliam as prostitutas e, como eu era a que tinha maior nota e mais destaque, ele resolveu me escolher para fazer tal matéria.Na época, eu já tinha blog e, foi o que chamou atenção também.
Dentre milhares de prostitutas avaliadas neste fórum, ele poderia ter pego o telefone de qualquer uma. Lembro que depois que eu dei a entrevista, virei para a Gabi e disse: “ Que loucura!! Eu dando entrevistas para alguém!”
A matéria foi ao ar. Eu li e pensei: “ Mas quem vai perder tempo lendo a minha entrevista?? “. Mas deu ibope. Em menos de duas semanas eu já estava na revista Época, depois na tv e desde então começou os meus “cinco minutos de fama”.
Pensei em desistir, de parar de dar entrevistas mas vi que poderia ser uma oportunidade única de me vingar da sociedade hipócrita, de mostrar à todos os preconceituosos de plantão, que existia uma prostituta muito esperta. Uma oportunidade também de mostrar aos meus pais: “Não me quiseram de volta quando me arrependi?? Pois consegui dar a volta por cima mesmo assim!”
Mas era uma oportunidade de mais “cutucar” a sociedade do quê mostrar aos meus pais que eu consigo o que quero.Consegui “cutucar”!! Reconheço que hoje consigo me sentir bem ao saber que incomodo muitas pessoas, que muitos me desejam a morte ou que, simplesmente não queriam que eu existisse. Mas existo!Meu lema é: Se incomodo é porque sou uma pessoa especial!
E sinceramente, até hoje não sei como que consegui mostrar a cara para o Mundo e assumir o que fui ou o que fiz. Sempre fui muito tímida e, sempre fui mais de observar os outros do quê ficar falando. Para que eu seja uma pessoa extrovertida, é preciso ser meu amigo ou que ao menos tenha conquistado a minha confiança. Se não... entro muda e saio calada.
No começo da minha adolescência, com o síndrome de patinho feio, não era notada por ninguém. Aparecendo na mídia me fez muito bem, pois enfrentei a minha timidez, encarei os meus problemas e consegui ter mais ego. Aparecer na mídia, é como se eu gritasse: “ EU EXISTO!!!”
Hoje, completo dois anos que estou na mídia. Também não me perguntem como que eu consegui.
Ter colocado a minha vida num livro me fez muito bem, reconhecer os erros, eu considero como uma virtude e, não há nada melhor do que falar: “Oh, eu fiz isso, isso e isso”. Se eu não tivesse um livro, hoje eu seria uma pessoa perturbada, não teria a consciência limpa que eu tenho.Poderia muito bem ter entrado em qualquer igreja e confessado os meus erros à algum padre. Mas não sou católica e, por isso não fiz.
Quando aprendi que a mídia acredita em qualquer história, foi tarde demais!!!Se eu soubesse disso antes, teria dramatizado mais a minha história. Eu poderia ter aparecido na mídia e dizer: “ Fui abandonada pelos meus pais biológicos, o meu pai adotivo era alcoólatra e me batia, a minha mãe era desnaturada e não cuidava de mim, eu estava perdida na vida quando uma pessoa apareceu para me ajudar e eu acreditei, quando a ficha caiu, eu já estava me prostituindo. Sofri muito, fui espancada por vários homens e como eu não gostava de fazer sexo, eu consegui fugir das garras do cafetão e hoje estou jurada de morte por ele.”
E eu diria isso enquanto lágrimas caiam pelo meu rosto... Faria da minha vida uma novela mexicana. RsMas por dentro, eu sabia que estava mentindo. Eu estaria sensibilizando a sociedade, mas eu não estaria sensibilizando nem um pouco os meus pais, a minha família em geral ou quem conviveu comigo, pois todas essas pessoas saberiam que eu estava mentindo!!
Para mim, é muito mais importante ter parte da sociedade contra mim e ter uma família que sabe que tudo o que escrevi é verdade à ter uma sociedade me apoiando e passando a mão na minha cabeça e, ter uma família sabendo que apenas regredi com tantas mentiras!!!
Bom, voltando ao assunto da fama....
O famoso que falar que uma vida de famoso é sinônimo de mar de rosas e que não tem do quê reclamar, podem ter certeza de que está mentindo!
A privacidade é o maior bem que o ser humano possa ter. Vale mais do que dinheiro.E é algo que eu não tenho mais.Hoje, eu já me acostumei, mas nos primeiros meses principalmente após o lançamento do livro, eu quase pirei!!!
Sair na rua e ser reconhecida por quase todas as pessoas, ser assediada por pessoas pedindo autógrafos, perceber os cochichos e os olhares de curiosidade ou de surpresa por onde vou... tudo isso me assustou muito!
Uma coisa é ser atriz e por onde ir, escutar comentários: “Olha, é a atriz que está fazendo tal novela”. Outra coisa, é ser conhecida como ex-prostituta.
Com o passar do tempo, eu me acostumei com os fãs ou com as pessoas que me param para fazer algum comentário, pedir autógrafos, etc.
Tive momentos maravilhosos, pois é muito gratificante ser parada por pessoas e escutar um “parabéns” ou ao menos algum rápido desabafo, saber que indiretamente eu ajudei muitas pessoas com a mensagem que eu sempre quis passar: Que nós nunca podemos abaixar a cabeça para os problemas da vida - porque somos nós que os criamos.
Acho gratificante receber em média 100 e-mails diários, de ter milhares de leitores no meu blog. Hoje valorizo muito todas as pessoas que me acompanham e, que me apoiam mesmo que de longe.
De todas as entrevistas que dei, as mais gratificantes e que me deixaram muito emocionada, foram: Jornal New York Times e no programa do Jô.
Na semana que o meu livro foi lançado, na primeira semana de novembro de 2005, ele já entrou na lista dos mais vendidos!!! Para quem pensava que a primeira edição demoraria para acabar ou que ficaria feliz ao saber que se pelo menos 5000 pessoas comprassem o livro... Para mim, tudo o que aconteceu desde então, foram apenas surpresas.
Posso ser oportunista sob os olhares de uns, mercenária para outros ou apenas esperta para muitos. Mas tudo o que aconteceu foi por um acaso e, eu não consegui colocar um freio. A fama ilude muito e eu assumo que iludi durante um bom tempo.
Depois de um tempo, aprendi que ser famosa não é tão bom assim, que a vida de anônima é bem melhor. Mas também já era tarde demais.
O problema é que as pessoas anônimas pensam que os famosos tem uma vida diferente. Alguns jornalistas perguntaram em “off” para o Pedro como que é namorar com uma pessoa que está na mídia e, mais do que isso, que assume ser uma ex- prostituta.O nosso namoro é como outro qualquer, a diferença é que eu sou uma pessoa pública e juntos nós encaramos o preconceito da sociedade. Querem maior prova de amor do que essa??
Quanto às críticas, eu também fiquei chocada no começo. Preciso reconhecer isso.Eu até chorei e foi o Pedro que me fez desencanar de tudo. Lembro das vezes que ele chegava em casa, eu o abraçava e chorava. Dizia para ele: “Fulano escreveu que eu sou isso, isso e isso” buááááá. Com o tempo, aprendi que é impossível agradarmos à todos e vi que as críticas que recebo são mascaradas, ninguém revela quem é. Ninguém até hoje teve a coragem de me criticar olhando nos meus olhos. Aprendi que criticar se escondendo atrás de um computador, é muito fácil.Eu incomodo, eu sei disso. E hoje, é o que eu mais gosto.E hoje dou risada quando falam mal de mim

4 comentários:

VanOr disse...

Pobre menina rica.

Mônica Montone disse...

Oi, Carrie, valeu a vista ao Fina flor ;o)

A mim a Bruna não incomoda! O que me incomoda é perceber que ainda vivemos na idade média, caso contrário assuntos sobre sexo, sem nenhuma profundidade não renderiam tanta grana e comentário, né?

Como diz a música, "vivemos num museu de grandes novidades".

Beijos e bom fim de semana,

MM

lau disse...

BOA VIAGEM!

FC disse...

Como rir faz bem..., é o caminho certo!