quarta-feira, junho 14, 2006

Jornalismo esportivo

Tem momentos na vida, como a Copa por exemplo, em que eu penso que só podia estar bêbada quando fiz inscrição pra jornalismo no vestibular. Momentos em que eu vejo Pedro querendo-ser-Armando-Nogueira Bial. Quando eu vejo Miss Simpatia Bernardes e William Bonner-Hommer. Quando eu vejo o Jornal Nacional.

Jornalismo se pauta (sem trocadilhos), basicamente, por uma tentativa de produzir um discurso codificado que faça a maioria achar que não é capaz de pensar por si própria sobre os eventos, precisando de mediadores que o façam. Jornalistas acreditam - realmente acreditam, ou a maioria; pelo menos é isso que se ensina na faculdade - que tem uma "missão" de "divulgar os fatos", ouvir o "outro lado da história". Pra qualquer historiador, cientista social, psicológo (ou simplesmente quem tem cérebro) entende que a realidade é contruída socialmente. E a notícia faz parte da realidade. Portanto não existem fatos. Não existe "o outro lado da história". Existem interpetações e infinitos lados. Enfim, tô falando com meus botões.

Na Copa isso extrapola todos os limites. Discute-se o óbvio em milhares de jornais e programas espécificos. Ou alguém precisa de explicação sobre o fiasco do jogo de ontem? E todos os jornalistas que antes diziam que o jogo seria fácil e tranquilo? Galvão Buelho assinou um contrato de 100 milhões para a cobertura da Copa. Tsc, tsc, tsc...

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